
Egas Moniz com açúcar.
Blogue destinado a comparar, incluir, discutir, divulgar e criticar análises, testemunhos, bibliografias e opiniões acerca de Egas Moniz, vida, obra e tudo mais que cada um achar relevante para o conhecimento do primeiro Nobel português de Medicina ou Fisiologia.
O fólio reproduzido é da autoria de Bruno Claro, extraído da sua obra "Tentativas Operatórias no tratamento de certas psicoses"(2022)
Representações de Egas Moniz (1)
Santiago Ramón y Cajal
Álvaro Cunhal e Egas Moniz (1)
Referências a Egas Moniz na obra de José Pacheco Pereira
Cruzamento de referências na Biografia de Álvaro Cunhal que José Pacheco Pereira (blogue sobre a Biografia, aqui, e Abrupto, ali) tem vindo a publicar, tendo dado à estampa, recentemente, o 3º volume «Álvaro Cunhal. Uma biografia política – O prisioneiro (1949-1960)», Vol. III, Lisboa, Temas e Debates, 2005.
Por volta dos anos vinte do século passado, Egas Moniz deixa a política activa. Tendo em conta o modo como se passa a referir a esse período que foi de 1901 até cerca de 1920, poder-se-ia dizer que «abandonou» a política activa, desapontado com o desfecho do ciclo sidonista e a impossibilidade do reagrupamento de dissidentes evolucionistas, unionistas e ex-sidonistas, num novo partido orientado contra os excessos jacobinistas da «República Velha».
O 28 de Maio de 1926 encontra-o a trabalhar activamente, na Universidade e no laboratório, preparando, em segredo, a invenção da Angiografia Cerebral. Seguir-se-lhe-á, em 1935 a descoberta da leucotomia pré-frontal e a elevação da sua notoriedade internacional que culminará, em 1949, com a atribuição do Prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia.
Durante esse período, Moniz está, quase por completo, dedicado ao ensino e à investigação científica.
Porém, a partir da sua jubilação e, mais acentuadamente, após ter recebido o Prémio Nobel, Egas Moniz adoptará uma militância de carácter cívico, em prol da causa da Paz e da Liberdade, demarcando-se sempre das correntes que considerava radicais.
A primeira entrada de Egas Moniz no território biográfico que Pacheco Pereira delimitou, encontra-se no 2º volume da biografia: JPP, (2001), Álvaro Cunhal. Uma biografia política - «Duarte», o dirigente clandestino (1941-1949), Vol. II, Lisboa, Temas e Debates.
Reza assim, a páginas 808:
Assim, em Março de 1947, a CC do MUDJ, numa circular confidencial, lançava uma campanha para recolha de 20.000 assinaturas destinadas a patrocinar uma homenagem a Norton. De forma críptica, dizia-se «tratar-se de uma iniciativa de maior alcance político, da qual podemos tirar várias conclusões, altamente agradáveis para nós» {nota 39: a comissão central do MUDJ, circular extraordinária às comissões (confidencial), 11 de Março de 1947.} no entanto, o nome do General não suscitou consenso desde o início e, na oposição não comunista, Sérgio, parte do PRP e Cunha Leal opuseram-se. As razões não eram coincidentes e espelhavam divergências que já vinham de trás, mas somente Cunha Leal se manteve tenaz na sua atitude de recusa.
António Sérgio pretendia a candidatura de um militar moderado no activo, ligado ao regime, Costa Ferreira, ou o Prémio Nobel da Medicina Egas Moniz, considerando as mais abrangentes e mais capazes de mobilizarem áreas fora da tradicional oposição {nota 40: Secretariado do PCP, Alguns aspectos da actividade do sr. A. S. Contrárias à Organização do Conselho Nacional, Agosto, 1948}.
Esta passagem é interessante a vários títulos. Salienta as clivagens existentes nas oposições ao regime fascista, mostrando quão complicadas já eram, por esses tempos, as coisas nestas paragens; chama a atenção para a demarcação comunistas/não comunistas; e comete um pequeno deslize de carácter anacrónico: trata Egas Moniz como Prémio Nobel, coisa que só virá a verificar-se mais tarde, em 1949. É inteiramente compreensível o deslize. Poder-se-ia até, se necessário, em favor de Pacheco Pereira, sustentar que, escrevendo nós sempre no presente, não é de espantar que colemos aos actores históricos as qualidades que já sabemos que eles virão a adquirir num futuro não muito longínquo. É claro. No entanto, aqui fica a reflexão.
PÚBLICO de hoje (2005-12-15, pág.5)
Por estar de acordo com o autor da carta, e independentemente de o seguir em todas as afirmações parcelares que nela faz, adiantarei, proximamente, uma série de reflexões acerca do relativo blackout que tem vitimado a memória de Egas Moniz.
Cinquentenário da Morte de Egas Moniz e Centenário do Nascimento de Ruy Luis Gomes
Foto publicada no blogue Ruy Luis Gomes, destinado à celebração do centenário do seu nascimento - 5 de Dezembro de 1905 - 5 de Dezembro de 2005.
O blogue «Egas Moniz» associa-se ao centenário de Ruy Luis Gomes e ao pedido de cooperação. O interesse é comum e recíproco.
Parabéns aos autores do blogue «Ruy Luis Gomes» pela iniciativa e pelo excelente trabalho que têm desenvolvido.
Egas Moniz dedicou mais de duas décadas da sua existência à política activa. Deputado (monárquico, dissidente monárquico, constituinte republicano e, depois, sidonista); fundador do Partido Centrista Republicano, dirigente do Partido Nacional Republicano, tendo tentado, ainda pelo menos mais uma vez, a criação de um novo partido político, após ter sido demitido do Governo de José Relvas; Diplomata: Ministro Plenipotenciário de Portugal em Madrid; Ministro dos Negócios Estrangeiros; Presidente da Delegação Portuguesa à Conferência de Paz de Versailles.
Bem vêem, sem uma referência devidamente desenvolvida a esta dimensão com que ocupou mais de 20 anos - ¼ da sua existência ou um terço da sua vida adulta - torna-se difícil fazer-lhe a justiça de o tomar na sua inteireza e compreender melhor as competências que transferiu, depois, para o saber estratégico com que assegurou alguns dos maiores sucessos que obteve.